Os impropérios do subconsciente

Os impropérios do subconsciente

Lamentavelmente, começo mais um editorial de forma negativa em se tratando do nosso Poder Legislativo Municipal. Como de outras vezes, chega a impressionar como as ações desastradas e comandadas pelo subconsciente dos nossos digníssimos representantes atropelam artigos do Regimento Interno, desconhecem a Lei Orgânica Municipal e comprometem a Procuradoria do Poder, pois acabam por colocar o Direito Público ainda mais público e com divergências interpretativas escancaradas, e o pior, a postura dos digníssimos mostra que temos, como já afirmei, a pior composição da Câmara Municipal das últimas cinco décadas. Uma lástima! E sabe por quê? Simples: você não sabe votar. 

Desta vez, dentre os vários absurdos registrados nestes 19 meses de mandato, uma simples reunião para a leitura e entrega de um relatório final para arquivamento de uma denúncia por uso indevido do carro da Câmara acabou de forma desastrosa e com, em minha opinião de leigo, possível assédio moral, dentre outras infrações, e, além disso, claramente há injúria no ato do vereador autor, o Senhor Israel Lúcio da Betel, que, como a maioria, não sabe ainda o que, para que e por que está investido no cargo de representante do povo. Entende apenas que tem poder pelo poder e, assim, pode arrastar cadeira e “gritar”, e pode, por isso, desrespeitar uma profissional com diploma e currículo e que, se estava no local, numa reunião, para apresentar, explicar e ler um relatório, é porque tem competência, capacidade e, mais que isso, honestidade para tal. O chefe dela – outro que se acha e pensa que sabe tudo de política, mas que, na verdade, sabe é “sabonetar”, pois aprendeu fazer isso muito bem com o chefe-mor ao longo dos anos – não cumpriu com a sua obrigação de vereador e não compareceu para atuar na comissão para a qual foi indicado. Os vídeos da postura do vereador Israel são ridículos. São de um descabido descontrole emocional, que mostra claramente que ele não sabia tecnicamente do que se tratava o relatório, mas queria, sim, uma ação política da relatoria. O porquê? Acho que sei. Culê, culê... Tudo é porco.  

No plenário, na reunião ordinária, o vereador Guilherme Rocha, presidente da Comissão, expôs os ocorridos na reunião citada. Depois do exposto, o autor dos impropérios, mais uma vez, mostrou que não está preparado para ocupar o cargo de representante do povo. E não é somente ele, em um colégio de 17 vereadores, talvez, cinco ou seis estejam em condições de exercer o cargo, na definição do Direito Constitucional e Político. O restante, como bem falou aos berros, pois esta é uma de suas qualidades, berrar pelos microfones, o Senhor Israel da Betel disse que “carregou muito cimento nos ombros” para chegar ali. É, isso merece aplausos. Eu aplaudo de pé, por exemplo, o nosso presidente da República, Luiz Inácio Lula da Sila, que saiu do sertão brasileiro, de Garanhuns, Pernambuco, na carroceria de um caminhão “pau de arara”, enfrentou as metalúrgicas de Santo André, São Paulo, virou sindicalista, subiu nos palanques, virou político em nível nacional e é e será o único brasileiro a ocupar o cargo mais importante do país por quatro vezes desde a Proclamação da República. E, com certeza, é respeitado mundo  afora como estadista. Então, indiferentemente de ideologia política ou de posicionamento político-partidário, é pra tirar o chapéu. 

Assim, digníssimo vereador Israel da Betel, não é ser, é mais como ser. Qualquer homem que se preze, autoridade ou não, precisa saber entrar e sair, precisa saber respeitar, olhar, escutar e até mesmo criticar, principalmente uma mulher. O episódio que deu origem a uma outra postura em plenário, nada convincente e que mostra a necessidade de mostrar os degraus galgados, ambos, se analisados com olhar crítico, repito, são ridículos e mostram a desfaçatez de quem não tem berço. Não adianta somente colocar a Bíblia debaixo do braço, é preciso interpretá-la, e, mais que isso, se a mente não foi preparada para colocar em prática os ensinamentos do Mestre, o que vamos ter sempre são as cenas grotescas de um subconsciente completamente obsoleto. 

Acho que o caso em tela mostra o nível dos nossos digníssimos representantes mais uma vez. Acho também que o episódio que levou ao desfecho é o que menos importa, pois o uso irregular dos veículos da Câmara já foi mostrado em um estudo feito pelo vereador Guilherme Rocha, por sinal, muito bem-feito, detalhado e documentado, e a amostragem é a de se esperar. Todos usam os veículos irregularmente. Todos, sem exceção. Pergunto: por que não se abriu uma Comissão para analisar quem mais usou o carro da Câmara indevidamente de uma forma que não tem como escapar? Isso não foi parar no MP, certo? Será por quê? É habitual usar o carro da Câmara para fazer política? Estranho.

Quanto à citação do meu nome pelo vereador Senhor Israel Lúcio da Betel, afirmando que o interpelei dizendo que lhe “desceria a lenha nesta edição, porque ele desacatou, foi deselegante ou assediou moralmente minha prima”. Ela é verdadeira. Afirmei mesmo e estou cumprindo o que prometi. E não estou fazendo isso porque ela é minha prima, e, sim, porque é cidadã, profissional com credenciais para exercer a função que lhe foi outorgada naquele momento devido à irresponsabilidade, preguiça e/ou pouca ou questão nenhuma pelo cargo por parte do vereador Lacimar Cesário, o meu amigo Três, que, no plenário, em vez de se comportar como homem e cobrar do colega Senhor Israel Lúcio da Betel os motivos pelos quais agiu de forma grosseira e deselegante, propagando impropérios à sua assessora, fez exatamente o contrário. Preferiu trocar palavras adocicadas e usar um sabonete para tentar “limpar a lambança patrocinada”. 

E mais, na gritaria no plenário, o Senhor Israel Lúcio da Betel, quando citou minha “interpelação” – que, aliás, tenho o direito de fazer profissionalmente, pois ele, como os colegas, são homens públicos e representantes do povo –, esqueceu de dizer que, quando ele disse que agiu daquele jeito porque foi orientado pela Procuradoria, respondi que a Procuradoria da Casa, para fazer o “O”, tem é que assentar na areia. E quando falou de Regimento Interno, respondi que o conheço de frente, de lado e de cabeça pra baixo. Ponto.    

Por Renilton Gonçalves Pacheco