Os candidatos já têm números e querem os votos...

Os candidatos já têm números e querem os votos...

A partir de amanhã, domingo, 16, está liberado para os candidatos começarem a pedir votos aos eleitores. Será o período do ano em que a maioria dos políticos vai se preocupar com os interesses do povo, com as necessidades dos mais pobres, com os reais problemas da população. Depois de eleitos, com certeza, muitos vão continuar sendo os mesmos de sempre. Colocam um assessor do assessor do assessor para te atender e passam a defender as causas daqueles que realmente mandam no País, ao longo dos tempos, mesmo antes de o Brasil existir oficialmente. Então não devemos votar, porque nada vai mudar? Claro que não. Votemos sim. Pois este é o único meio de tentar mudar esta situação e mostrar pra eles que “chega de Congresso inimigo do povo!”, o mesmo valendo para as instâncias estaduais. E, para que isso ocorra, é preciso analisar bastante quem são os candidatos que vão pedir o nosso voto a partir de amanhã até o dia das eleições.

É claro que existem pessoas que vão nos representar, realmente, apesar de a maioria ser “mais do mesmo”, como dizem por aí. E, para descobrir estas pessoas que merecem o voto, é preciso investigar, perguntar, pesquisar a vida delas, analisar seus discursos, saber de suas ideias, principalmente quando não estão em campanha, pedindo votos. Até porque, como disse antes, em campanha, eles fazem um discurso para te agradar. Lembram que existem problemas na cidade a serem resolvidos, falam que vão buscar investimentos para a saúde, que vão apoiar a educação etc e tal. Depois... Então é preciso saber como a pessoa agiu quando tinha um mandato anterior, se é filho, sobrinho, neto, de políticos que tiveram mandato e como é o comportamento dessas pessoas e de seus parentes fora do período eleitoral. Isto mesmo, não avalie o voto a ser dado pelo período que começa amanhã e vai até o dia 4 de outubro.

Para não errar no voto, veja como o candidato que se apresenta a você atuou em relação a temas que lhe são caros, como o atendimento na área da saúde, por exemplo. Ele é daqueles que fala, fala, fala e fala, ou já fez alguma coisa realmente importante para melhorar o atendimento no setor? Lembrando que fazer alguma coisa não é só destinar verba. Fazer alguma coisa para melhorar o atendimento na área da saúde, por exemplo, pode ser aprovação/proposição de alguma medida que melhore a situação como um todo. Como ele cobra e ou propõe a melhora no setor. Se ele realmente cobra melhorias ou se apenas faz onda para aparecer na mídia. Porque tem candidato que, em público, fala que é favor de aumentar o valor do repasse do SUS aos hospitais, mas, na hora de aprovar uma lei que prega isso, vota contra. Avalie, por exemplo, qual é a postura do candidato em relação a questões nacionais, de que lado ele se coloca, se ao lado dos grandes empresários ou do trabalhador, por exemplo.

Eu, pessoalmente, faço uma lista de coisas que me impedem de votar em um candidato: se ele faz parte de bancada religiosa, ou de bancada ruralista, bancada do armamento, bancada empresarial, não tem o meu voto, de jeito nenhum. Primeiro, porque entendo que religião não deve ser bandeira política. Depois, porque não sou “grande produtor rural”, detesto arma e nem sou “grande empresário”. Então políticos que fazem parte destes grupos não me representam. Também estou tirando da lista políticos de carreira e parentes de políticos. Primeiro, porque o exercício da política, no meu entendimento, não pode ser visto como profissão. Depois, porque cargo público não pode ser repassado como herança. 

Assim, aconselho aos eleitores que porventura queiram uma opinião que analisem muito, mas muito mesmo, a vida, as posições públicas, as tendências de voto de quem se apresente como candidato nestas eleições. Dito isso, lembro que, por quase três meses, vamos conviver com “santinhos” de papel e “do pau oco”, como diziam os mais antigos, e que é preciso muita análise para não cairmos na lábia dos mal-intencionados, pois muitos deles estarão por aí a nos pedir voto...

Por Sérgio Cunha

Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e membro da Academia Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.