O olhar atento numa “pendenga” que termina já...
Esta semana, os olhos da maioria estão voltados para Brasília, quando os enfrentamentos na Corte refletem o nível da política nacional e as “chicotadas” acabam acertando a todos num efeito dominó desenfreado. A sensação é a de que é preciso repensar o sistema. Por outro lado, acho que o problema não é o sistema, e sim o ser humano, que é político por natureza e em todos os sentidos, sejam eles sociais, familiares, negócios ou política na essência, pois ele não consegue fazer entender e ser entendido sem prejudicar ou ser prejudicado. Não consegue exercer a cidadania e, consecutivamente, a liderança para que todos sejam beneficiados.
Na nossa terrinha de Borba Gato, nos últimos dias, o ambiente está agitado quando os assuntos são campanhas políticas. Já se falou de tudo nas últimas semanas. A cidade tem muito candidato, não vai eleger ninguém, que isso é uma “pouca vergonha”, que deveriam pensar na coletividade, que os políticos querem saber somente dos seus interesses e que o povo é que se dane. E é isso mesmo. Sempre foi assim, desde que o mundo é mundo, e, no país além-mar, descoberto por um português que precisou desviar de rota, não seria diferente, nem antes, durante e muito menos depois do império... Quanto na república, apenas sonhou-se.
Mas vamos ao que interessa na nossa barranqueira Itaúna. Depois do verdadeiro amontoado de candidatos para os cargos de deputado estadual e federal, agora, parece que a coisa vai se acomodando e, se parece sério para poucos, virou piada para outros e sofrimento para alguns, que embarcaram em “canoa furada” e continuam acreditando em Papai Noel. Como profissional, é muito interessante observar o vai e vem das posições, os estilos dos trabalhos, os acertos e os erros nas estratégias e até há momentos em que observar a vontade de alguns traz uma energia de desprendimento. Se você não faz cálculos, estuda diretrizes partidárias num todo e analisa com frieza, pode até passar a acreditar que a maioria está mesmo no jogo. E está. Porém apenas joga-se para mostrar que está ali. É válido, mas é preciso pesar consequências, as decepções e o custo para a saúde. Vale a pena? Vão responder que sim, mas por vários fatores alheios ao sentimento de prestar serviços. Podem estar entre eles vaidade, recursos financeiros, vontade de aparecer, sede de poder, dentre muitos outros. Pergunto novamente: vale a pena?
E na nossa terrinha, barranqueira e engraçada, a notícia da sexta-feira, 4, e que veio repercutir mesmo foi na segunda, véspera de feriado, deixou muita gente se perguntando: mas ele desistiu mesmo? Pois é, como noticiamos na edição anterior, Neider Moreira de Faria, ex-deputado e ex-prefeito, encalacrado com a Justiça, condenado a 6 anos e 1 mês de prisão, teve a sua candidatura indeferida. No meio político e jurídico, isso já era previsto, mas o cidadão comum, o eleitor, ainda via a possibilidade do candidato concorrer. Ele até insistiu, talvez não por Itaúna e seu povo, mas por ele mesmo. Eu resumo numa palavra: egocentrismo. Mas, como tudo vem à tona, esta semana, depois das “trapalhadas” do El Bigodon, veio a realidade da história de quem muito quer e acaba atropelando ou sendo atropelado pela postura sempre superior e arrogante.
Conta-se entre paredes e à boca pequena que, depois de firmar compromisso com um candidato a estadual de Brumadinho, foram feitos santinhos e material impresso, dizem que da ordem de 120 mil reais. E mais recursos vieram para comitê e estrutura de campanha. Falam em 500 mil reais. Pois bem, com a retirada da candidatura, o então candidato Neider Moreira resolveu, então, gravar vídeo pedindo voto para outro candidato, da aliança que iria apoiá-lo, e num é que o tal lá de Brumadinho, então, mandou pedir o dinheiro de volta! Natural, né? Consta que virou confusão e sobrou até para o ex-secretário do El Bigodon, aquele que está condenado junto e por causa dele. A turma lá de Brumadinho quer porque quer a dinheirama de volta. Aí, vocês já sabem, num é? Precisa explicar não, né? Dizem que tem gente lá pelas bandas de Cajuru, não sei se pescando na barragem, descansando em casa ou apenas dando uma fugidinha da bagunça. Estão falando até em barraca armada em rua do elegante Cerqueira Lima... Enfim, menos um.
E como se toda essa bagunça no bastasse, outro candidato aí, que tinha a certeza de que contaria com R$ 1 milhão de recursos do fundo partidário, teve, num primeiro momento, a promessa reduzida para R$ 800 mil, não gostou, mas aceitou e continuou... Depois, o partido reduziu para R$ 600 mil, ele “rosnou”, mas fechou a boca, continuou... E, depois, baixaram para R$ 300 mil, e mandaram, até agora, R$ 110 mil. Ele continua, mas parou tudo, porque, segundo as más línguas, já gastou mais de R$ 200 mil. Ou seja, já está no vermelho. Resumo. Acreditou no inacreditável. Sonhou e continua sonhando.
E tem uma candidata de primeira viagem que o partido está agindo de forma, no mínimo, estranha. Os caciques lhe prometeram R$ 600 mil de recursos, e disponibilizaram isso, só que sob o controle deles. Ou seja, se ela vai contratar alguém, tem que pedir autorização. Estranho... Dizem que a contabilidade do partido será feita em conjunto. Como? Ou seja, eles estão é enrolando. A preveni: cuidado, garota...
Nessa meleca toda, porque é uma verdadeira meleca, quem sai fedido, é isto mesmo, fedido, mas sai fodido também, é o povo. Que vota sem saber o que está fazendo e depois não tem a quem recorrer. Então vou terminar concordando com um senhor que acho muito simpático e que me trata muitíssimo bem. Ele me disse, esta semana, a seguinte frase em forma de questionamento: “Tudo bem? Você está puxando muito saco da Gláucia! Inclusive, nos editoriais!!!”. Respondi com tranquilidade: “Estou mesmo: ela é a única que tem chances, é itaunense da gema, ama o torrão barranqueiro e o melhor, dos políticos itaunenses das últimas décadas, foi a única que prometeu e conseguiu uma verba de R$ 5 milhões para o Hospital pagar as suas contas, inclusive, os salários dos funcionários. Então vai ser com ela ou com ninguém”.
Outros ainda insistem.
Por Renilton Gonçalves Pacheco





