O critério do voto e o bom senso
Assisti no YouTube um trabalho jornalístico feito por Renata Lo Prete, jornalista apresentadora do Jornal da Globo, tendo Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisas, como companheiro nas entrevistas. O trabalho é sobre o eleitor pendular e foi feito em programas com temas que mostram a importância deste eleitor na campanha eleitoral e, consecutivamente, no resultado das eleições em todos os níveis disputados no Brasil. A série de reportagens foi feita nas principais capitais do país, mas é um retrato do contingente eleitoral brasileiro em qualquer colégio, seja ele grande, médio ou pequeno. O que muda são as questões regionais e os níveis sociais, entendendo por isto escolaridade e desenvolvimento social.
Dividido em quatro reportagens, a primeira delas foi feita no Rio de Janeiro, capital, tendo como tema o “Rio de Janeiro e o voto evangélico”; na segunda reportagem, o tema foi “Voto pendular: Relações de Trabalho”; na terceira, “Como a violência pode mudar um voto”; e, na quarta, feita em Minas Gerais, o título foi “Minas, o termômetro do Brasil nas eleições”. Essas quatro reportagens mostram que os eleitores pendulares são os que decidem e são os mais cobiçados. Pois estão em nichos, sendo a maior parte nas grandes cidades, mas refletem o país num todo. A reportagem estudou como ele pesa nas eleições, como pensam e quem são eles. Vale a pena assistir para entender como pensa o eleitor pendular e como uma eleição pode estar muito além das campanhas tradicionais, com uma estratégia de propaganda genérica, sem se preocupar com o eleitor individualmente, o pendular, aquele que pode mudar de ideia e que não está vinculado a conceito político e não está fidelizado. Ou seja, não é de direita ou esquerda, mas vai à urna e vota, de forma independente, naquele candidato que ele entende ser melhor para a sua vida.
Renata Lo Prete usa um termo interessante no segundo programa para definir o eleitor pêndulo em São Paulo, ele pensa diferente, mas toma o mesmo remédio. Mas, se toma o mesmo remédio, os motivos para isso são diferentes, pois são, na maioria, independentes, pequenos empreendedores que não acreditam em milagre político e vão às urnas pelo pensamento deles, e não pela campanha do candidato, mas sim pela ideia dele sobre o então candidato escolhido. Os seja, ele pensa nele mesmo, no seu dia a dia e no seu entorno.
No último episódio da série, Renata Lo Prete e Felipe Nunes vieram para Minas. E o título da reportagem, como já dito, é “Minas, o termômetro do Brasil nas eleições”. Minas Gerais se destaca por sua diversidade, sua condição geográfica e o seu número de municípios. E o mais importante e um termômetro pendular: o mineiro é quieto, observador, desconfiado. Não acredita em qualquer um, em qualquer promessa. O que os entrevistadores observaram é que há um equilíbrio na maneira de pensar quando o assunto é voto, porém com maneiras diferentes de votar. Minas é mesmo o espelho das eleições.
Entrei nesta seara do Jornal da Noite da Globo porque esta eleição em nossa barranqueira Itaúna, desta vez, tem um ingrediente que não passa despercebido ao eleitor: o voto útil. Em minhas conversas nas rodas formadas por pessoas diversas, com formações diferentes e nível educacional e social também diversos, já observei, mesmo estando no início das campanhas, que, se o político itaunense não entendeu, o eleitor, parece, vai fazer com que ele entenda que é o cidadão que decide o que quer quando vai à urna. Os políticos não souberam “costurar” politicamente para que Itaúna pudesse ter, de forma mais fácil e organizada, representantes nas esferas Federal e Estadual e resolveram que seria cada um por si. Ou seja, olharam para o próprio umbigo e foram para as ruas. Pois bem, o eleitor itaunense, com o seu mineirês interiorano, está fazendo o que sabe fazer bem, falando pouco e observando caladinho. E, ao que tudo indica, como dizem popularmente por aí: vai fazer de alguns limões uma bela limonada.
Temos situações no quadro eleitoral itaunense que chegam a ser engraçadas. Mas a democracia está aí para ser respeitada. Então... É engraçado, mas também interessante observar que tem candidato que não é conhecido nem na rua onde reside, mas tem um sonho, então... Tem candidato que já tentou algumas vezes, mas é legítimo que continue sonhando, então... Tem candidato que ainda não sabe o que é política, mas quer aprender... então... E por aí vai.
E existem candidatos, dois ou três, que de fato estão concorrendo e têm condições eleitorais. Um está condenado, já tem a candidatura impugnada pelo Ministério Público Eleitoral e, se insistir na disputa, será sub judice, ou seja, o eleitor, se votar nele, pode ter votado em vão, porque ele, se eleito, pode não tomar posse (leia matéria na página 5). Outro tem 30 anos de mandato como vereador, quer alçar voo maior, mas não capitulou número de votos necessários no seu partido. Só será eleito por milagre. Ele sabe disso. Outra nasceu em Itaúna, mas tem como colégio eleitoral em Divinópolis, reside lá, foi eleita vereadora lá e deputada estadual por lá. Itaúna é apenas a cidade natal, vai ficar em segundo plano, como já ficou no atual mandato dela. E a outra, que é itaunense da gema, com experiência política e é, inclusive, suplente de deputada, tendo assumido o cargo, é a única que tem chance real de eleição: Gláucia Santiago. Essa é a minha opinião.
Porém, para conseguir ser eleita, Gláucia tem que atingir o coeficiente eleitoral, e isso vai depender do eleitor itaunense, que, ao que parece, já entendeu que Itaúna precisa de alguém em Brasília. Ou seja, é a hora do voto útil. Se queremos representatividade, não há alternativa. É a hora da velha máxima: “Um por todos e todos por um”, com uma boa dose de critério e muito bom senso.
Por Renilton Gonçalves Pacheco







