No meu voto, mando eu!
É um jogo de cálculos, estratégias, fundamentos, visão do campo e de muitas circunstâncias, e também da leitura correta do tabuleiro, além, é claro, de muito esforço para mostrar ao eleitor que vale a pena o investimento. É isto mesmo: investimento. E por que investimento? Simples, porque você, ao colocar seu nome publicamente para um cargo público, está firmando um compromisso de representatividade para com o cidadão. Já firmei isso em outras ocasiões. Mas é necessário frisar sempre que o homem público não decide para ele, e sim para quem ele representa. Fiz a introdução para mostrar que eleição não é apenas colocar o nome à disposição do eleitor. É muito mais que isso, pois engloba uma conjunção de fatores, inclusive, territorial, nível cultural e econômico, dentre outros. Entender tudo isso não é fácil.
E, por não ser fácil, muitos se jogam na aventura da candidatura por gostarem de política, por acharem que podem contribuir com a sociedade oficialmente ou mesmo por vaidade, e a maioria escolhe a política partidária como profissão. Em minha opinião, um erro. Entendo que um político pode passar grande parte da sua vida atuando na política, pois, se isso ocorrer, é porque ele está trabalhando como deveria: em prol da população. A atuação prolongada e estruturada como carreira é que não vejo com bons olhos, pois a partir daí é que começam os erros, uma vez que, para se manter no poder, é preciso concessões, estratégias não muito, diríamos, “bentas” e submissão a outros poderes dentro de uma conjunção em que os interesses de ambos sejam preservados em detrimento dos interesses coletivos.
Num momento de campanha política, quando muitos nomes aparecem para buscar o voto do eleitor, é importante informá-lo que o voto é dele, tentando coibir o assédio ao eleitor no seu ambiente de trabalho, principalmente. E é exatamente o que estão fazendo a Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público do Trabalho em campanha que foi ao ar esta semana, com o título NO MEU VOTO, MANDO EU – TER-MG.
A campanha chama a atenção para situações que podem ocorrer nas relações de trabalho, como exigir ou induzir o voto em determinado candidato, partido ou corrente política, além de ameaçar consequências profissionais em razão da escolha eleitoral ou utilizar a posição hierárquica para interferir na liberdade de escolha do voto.
A campanha também pretende ampliar o conhecimento da sociedade sobre o que caracteriza o assédio eleitoral, como identificar essas situações e quais são os caminhos disponíveis para buscar orientação e fazer denúncias. A proposta é formar uma Aliança pelo Voto Livre. E este voto livre é que verdadeiramente vai mudar a maneira dos políticos atuarem em seus cargos e, a partir daí, aprenderem que é o eleitor que detém os cargos que eles querem ocupar. É uma longa caminhada, mas é preciso começá-la, e o momento é este.
Além da firmeza de que NO MEU VOTO, MANDO EU, é muito importante que o eleitor saiba separar jogo político de boas intenções políticas e capacidade política de interesse e sede de poder pelo poder. Na nossa cidade, por exemplo, temos vários candidatos, o que mostra pluralidade e o exercício da democracia, mas e aí? Como agir? Vou votar porque ele é meu amigo, porque minha família pediu ou porque entendo que o candidato tem capacidade de me representar? Ou vou votar porque a cidade precisa de um representante de fato para resolver os problemas burocráticos e coletivos nos poderes constituídos nos níveis estadual e federal? Esta deveria ser a opção. Então será que vou saber entender que, além das credenciais para me representar, o candidato que me pede voto vai depender ainda de legenda partidária, de recursos partidários, de estrutura eleitoral e, o mais importante, ele quer mesmo me representar ou apenas quer ser um político a mais? É preciso saber separar o joio do trigo e, mais que isso, estudar as causas e consequências do seu voto nos dois sentidos, o positivo e o negativo.
Um exemplo interessante ocorreu na nossa cidade esta semana, quando o candidato Neider Moreira, deputado estadual por três mandatos e prefeito por dois mandatos, e que havia colocado sua candidatura a deputado federal, mesmo estando condenado pela Justiça, acabou dando dois passos para trás e a retirou. Ele entendeu que não adianta forçar uma candidatura num momento de desgaste para ele e, consecutivamente, para o eleitor, que não sabia o que fazer e já pensava: vou votar no Neider, mas ele não vai obter sucesso juridicamente e vou perder o meu voto. Sim, seria isto que aconteceria. Itaúna ficaria sem um representante. Considerei o gesto do político sensato. Olhou para frente, visualizou condições, até acredito que não pensou na cidade, no seu povo, e muito menos na possibilidade de viabilizar mais candidatos em melhores condições, mas sim nele mesmo. Porém abriu mais espaço, mais possibilidades para outros.
Como bem chama a atenção a campanha da Justiça Eleitoral, NO SEU VOTO, MANDA VOCÊ. E é por isso que acho que você precisa entender que o seu voto tem o poder de mudar tudo coletivamente, sem que ninguém tenha que obedecer a ninguém. Apenas escolha, com bom senso, com consciência e com a certeza de que está acertando, porque não basta escolher a polarização, e ser direita ou esquerda, ou mesmo achar que o outro é menos ladrão do que esse ou aquele. Nenhum pode ser ladrão ou a figura de um santo. Seja qual for o escolhido, tenha a certeza de que ele ou ela pode te representar sem cobrar nada por isso. Pelo contrário, o escolhido tem é que te representar, nada mais que isso. A política, a eleição, pode até ser um jogo de cálculos, de estratégias e fundamentos, mas, no ponto central, tem que estar você, o cidadão que vai escolher. Então tenha em mente a campanha da Justiça Eleitoral: NO MEU VOTO, MANDO EU.
Por Renilton Gonçalves Pacheco





