Mulher
Nas décadas de 70, 80 e início da década de 90, quando trabalhei como headhunter em BH, recrutando e selecionando executivos para grandes grupos empresariais localizados, principalmente, no eixo de Minas, Rio e São Paulo, não me lembro de nenhuma solicitação aberta para candidatas do sexo feminino, ou mesmo para ambos os sexos, em posições de gestão. O perfil dos candidatos solicitados pelos exigentes clientes não variava e era sempre: experiência nisto, experiência naquilo, SEXO MASCULINO. Também nas empresas onde trabalhei – como funcionário por mais de 18 anos na área de RH da Cia. Siderúrgica Mannesmann, na época, com 11.000 funcionários, Acesita-Aços Especiais, 9.000 funcionários, e Economisa, com 6.000 funcionários –, as exigências para preenchimento dos cargos de gestão, como chefe de setor, gerente, superintendente ou diretor, eram sempre: sexo masculino. Nas indústrias de Itaúna nessa época, como Cia. Industrial Itaunense, Cia. de Tecidos Santanense, siderúrgicas, minerações e fundições, só se via uma ou outra mulher em posição de gestão quando membros da família do empresário.
A partir de meados da década de 90, este perfil começou a ser alterado, devido, principalmente, à entrada maciça das mulheres nos cursos superiores de Engenharia, Economia, Administração e Direito, onde anteriormente não passavam de uns poucos gatos pingados. Outra mudança foi o perfil dos novos gestores a partir da década de 90, que, mais preparados, passaram a valorizar o conhecimento e a capacidade dos candidatos em detrimento do sexo para o preenchimento de suas posições estratégicas. Hoje, já aposentado, me dedicando somente a palestras em empresas, acompanho de longe o trabalho de minha filha, que atua como headhunter em BH e, pelos seus relatos, o panorama mudou 100%: o mercado de trabalho é para os mais competentes independente do sexo, o que não ocorria há décadas atrás.
Na minha opinião, esse é um dos fatores que tem provocado essa explosão de feminicídios noticiados diariamente pelos meios de comunicação. Na maioria dos casos, alguns maridos, companheiros, ex-maridos ou namorados, no fundo, não aceitam o nivelamento, ou mesmo a superioridade da mulher ou ex-mulher ou namorada, tanto na vida social como empresarial. Se comportam como se aquela mulher fosse sua propriedade e não aceitam a perda de poder e, principalmente, do mando, quando são confrontados, e o seu sucesso e a capacidade de caminhar sozinha em algum empreendimento, por mais simples que seja, como um pequeno salão de beleza. A solução é a agressão verbal, o espancamento ou o feminicídio para tentar colocá-la no seu devido lugar e lavar a sua honra, mesmo ciente das severas punições em que está sujeito pela Lei Maria da Penha.
Nas minhas palestras, é comum surgirem perguntas sobre o mercado de trabalho e uma delas é corriqueira: Como está o mercado de trabalho para a mulher? Após as explicações de praxe, costumo contar uma parábola que exemplifica muito bem a capacidade da mulher de sobressair na sua vida profissional, pela sua inteligência e capacidade gerencial. Vamos à parábola:
Três executivos americanos foram contratados para executar um trabalho de consultoria em uma empresa petrolífera na Arábia Saudita. Era um trabalho para, no máximo, trinta a quarenta dias e os executivos entraram de cabeça no empreendimento com o objetivo de terminá-lo o mais rápido possível. Assim, após 36 dias de trabalho ininterrupto, numa rotina de doze a quatorze horas por dia, de 2ª a 2ª, só se locomovendo do hotel para a empresa e da empresa para o hotel, eles entregaram o relatório final para ser analisado pela empresa contratada. Naquele início de noite, se preparando para arrumar as malas para o retorno ao seu país no dia seguinte, um deles questionou os colegas de trabalho: “Gente, nós estamos há 36 dias em um país diferente com uma cultura rica e milenar e vamos embora só conhecendo a comida deste hotel? Que tal pegarmos um taxi e irmos jantar em algum restaurante típico da cidade?!”. Proposta aceita, os três executivos embarcaram em um taxi e solicitaram que os levassem a um restaurante que servisse a melhor comida típica da cidade. Após uma corrida de aproximadamente 25 minutos, o taxista os deixou na porta de um pequeno e simples restaurante em um dos bairros afastados do centro. Como era início de noite, o ambiente estava vazio e os três executivos foram prontamente atendidos pelo proprietário do estabelecimento, que lhes apresentou um cardápio em árabe. Como o proprietário não sabia falar inglês, os três executivos escolheram aleatoriamente os pedidos em meio àquela escrita estranha. “Sem problemas, pessoal, vamos pedir estes cinco pratos diferentes e, através deles, escolheremos o mais saboroso para o nosso jantar, OK, não tem erro. Pelo menos vamos ter o que contar na nossa volta para casa, é ou não é?” Enquanto aguardavam serem servidos, um dos executivos ficou brincando com uma pequena lâmpada de Aladim que decorava uma das mesas. Na brincadeira, ele esfregou algumas vezes o bico da lâmpada e foram surpreendidos por uma grande bola de fumaça que ela expeliu. No meio dela, puderam vislumbrar a figura de um senhor gordinho, transvestido com uma roupa colorida, um belo turbante cravejado de pedras preciosas no alto da cabeça, sentado com as pernas cruzadas sobre uma mesa e calçando um par de sapatos com o bico arrebitado. Ele estava sorrindo para os assustados executivos. Antes que alguém falasse, o gordinho se pronunciou: “Eu sou o Gênio da Lâmpada e estou há três séculos preso nesta lâmpada por uma maldição que não vale a pena contar agora. A única coisa que me libertava era alguém passar a mão cinco vezes consecutivamente sobre o bico da lâmpada. Por várias vezes nesses três séculos, estive próximo de ser libertado, mas ninguém até hoje havia passado a mão por cinco vezes sobre o bico da lâmpada. Há mais ou menos uns dois séculos atrás, um beduíno em um oásis, em pleno deserto onde eu havia sido jogado, ao limpar a lâmpada, passou a mão quatro vezes e quase me libertou”. Mais calmos, mas ainda surpresos, os três executivos escutavam atentamente as explicações do Gênio. “Ah! Como prêmio pela minha libertação, cada um de vocês pode fazer um pedido, que será atendido imediatamente.” “Qualquer pedido?”, questionou um dos executivos, meio incrédulo. “Sim”, confirmou o sorridente Gênio da Lâmpada ainda sentado com as pernas cruzadas sobre uma mesa próxima. “Bem, eu quero ficar 50% mais inteligente”, exclamou um dos mais afoitos executivos. Imediatamente, o Gênio tocou a sua cabeça com uma das mãos e ele decorou imediatamente o cardápio de três folhas em árabe que estava em suas mãos. “Eu quero ficar 70% mais inteligente”, desafiou o segundo executivo, com o olhar fixo no Gênio da Lâmpada. Imediatamente, o Gênio tocou a sua cabeça e o profissional passou a falar fluentemente a língua árabe. Entusiasmado, o terceiro executivo disparou antes do Gênio se sentar à sua mesa: “Eu quero ficar 100% mais inteligente”. “Cem por cento mais inteligente?”, questionou o Gênio, demostrando uma certa indecisão. “Isso mesmo, você não falou que atenderia qualquer um dos nossos pedidos? Pois eu quero ficar 100% mais inteligente”, declarou ao mesmo tempo em que encarava o Gênio da Lâmpada com um olhar desafiador. Tranquilamente, o Gênio caminhou em sua direção, colocou a mão sobre a sua cabeça e o transformou em uma mulher...
Por Sérgio Tarefa







