Itaúna merece alguém na Câmara, em Brasília

Itaúna merece alguém na Câmara, em Brasília

Na década de 1980, o ilustre itaunense Oscar Dias Corrêa não só representou Itaúna na Câmara Federal, como veio a ser ministro da Justiça. Posteriormente, Itaúna proporcionou a eleição federal a Marcos Lima. Ao final, ele deixou a base eleitoral itaunense: decidiu migrar para representar e buscar eleitores no sul de Minas, militando por votos em Pouso Alegre. Itaúna possivelmente já teria feito mais deputados federais. Até senador. Mas, candidaturas são lançadas apenas para tentar atrapalhar adversários da política municipal. É hora de pensar na cidade com um pouco mais de estadismo. Mais: é fundamental o eleitor enxergar quem tem chances reais de assumir uma vaga em Brasília. Uma pessoa que representa Itaúna na Câmara Federal será um enorme ganho para recursos e representatividade direcionado ao povo itaunense.

Durante as últimas três semanas, me debrucei para fazer a análise sobre a eleição dos candidatos de 2026 que se apresentaram como representantes com raízes em Itaúna. Em suma, foram duas análises combinadas: uma que ofereceu uma visão mais ampla das listas de candidatos de cada partido e outra que olhou mais de perto alguns candidatos-chave para a estimativa do números de votos que seriam necessários para o última dos eleitos na legenda.

São duas direções. A análise de cima para baixo parte do tamanho esperado da eleição, da força histórica das legendas e das regras de distribuição das cadeiras para estimar quanto cada partido ou federação pode obter. A análise de baixo para cima parte dos candidatos, considerando votação anterior, território, mudança de cargo, mandato, estrutura política, notoriedade e capacidade de expansão. Ao final, as duas contas são confrontadas: o total produzido pelos candidatos precisa ser compatível com a força estimada da lista. Esse cruzamento reduz o risco de tratar popularidade individual como cadeira garantida ou de atribuir ao partido votos que seus candidatos dificilmente conseguiriam produzir.

O resultado de algumas dezenas de pesquisas, planilhas e cruzamento de informações levou a uma projeção analisada quão distantes ou perto cada um dos concorrentes itaunenses estão da vaga na Câmara.

A federação do União Brasil deve fazer algo entre 7 a 10 cadeiras.  Se fizer o máximo de vagas, o vereador Antônio de Miranda (Toinzinho), que pertence a esta lista, precisará de algo entre 60 e 75 mil votos para concorrer à última vaga de sua chapa. Para se ter uma ideia do desafio, Itaúna possui 70.901 eleitores no total. Baseado no comparecimento das últimas eleições, é razoável prever um comparecimento de cerca de 55 mil destes eleitores. Toinzinho precisaria ter o votos de absolutamente todos os eleitores de Itaúna sozinho, caso ele não tivesse uma votação de dezenas de milhares de votos em outras cidades. 

O candidato Sandrinho, do MDB, precisa de sonhar em obter em torno de 90 mil votos, para conseguir a provável vaga que seu partido fará.

O candidato Neider Moreira, do PSB, tem uma situação ainda mais peculiar: precisa torcer para que seu partido consiga conquistar ao menos uma vaga. As projeções apontam para que o PSB mineiro fique com uma ou zero cadeiras. Se o partido fizer a vaga, Neider teria que angariar uma votação entre 50 e 55 mil votos: o que seria um feito inédito na carreira no político. Além de ficar na frente de nomes mineiros como Duílio de Casto e Vilson da Fetaemg, que possuem histórico de votos neste patamar.

A candidata Lohanna faz parte da Federação Brasil da Esperança: a lista de candidatos deste grupo deve fazer oito ou nove cadeiras. Lohanna, cuja base eleitoral é Divinópolis, teve boa votação em sua eleição para deputada estadual. Mas precisa convencer eleitores que votam em outros candidatos a deputado federal nas últimas eleições a migrarem para ela. Mesmo que eles tenham sido seus apoiadores na urna estadual. Em Itaúna, Lohanna obteve 2.545 votos na última eleição. Como sua federação partidária deve fazer oito ou nove cadeiras, ela precisa almejar conseguir algo entre 60 e 65 mil votos e ficar na frente de concorrentes mais prováveis da última cadeira, como o ex-deputado federal por quatro mandatos, Gilmar Machado (PT) e da Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do PT, Gleise Andrade.

A candidata Gláucia Santiago, do PL, recebeu os melhores indicadores analíticos da matemática contida nesta dança de cadeiras. Em seu partido, o caminhão de votos trazidos por Nikolas Ferreira, projeta 19 ou 20 vagas para deputado federal. Após uma análise minuciosa necessária em razão da extensão da lista de quem deve entrar, Gláucia tem a chance de se tornar a representante de Itaúna em Brasília com algo entre 25 e 29 mil votos. O fato de ter assumido o mandato na atual legislatura ainda contribuiu para a candidata criar capilaridade institucional e gerar indicadores mais otimistas para seu desempenho. A chance dela é real. Como não existia para um itaunense há décadas.

Os números mostram que é hora de a cidade colocar a possibilidade de estar em Brasília antes de confrontos políticos locais e imaginar o quanto de recurso institucional e financeiro Itaúna pode incrementar no atendimento a sua população.

Por Rafael Corradi Nogueira