Inteligência política

Inteligência política

Em momento de trâmites finais para as eleições, destacam-se questões que mexem muito com setores específicos e que são um elo importante entre eleitor e candidatos: a comunicação, a informação e a opinião. Mais que isso, são fundamentais quando os profissionais envolvidos executam o trabalho com a seriedade com que o tema exige e, principalmente, não tentam se tornar os atores principais, pois estes são os candidatos e os eleitores.

Posso afirmar sem medo de errar que, dentre todas as eleições que participei como eleitor, repórter ou apenas como observador, nesta li, vi e ouvi absurdos que não assisti em nenhuma das outras. Posso começar condensando a retórica da campanha como esdrúxula, pois a começamos sem uma opção de fato. Isso porque temos um governo que ninguém quer e que, muito provavelmente, vai ganhar a eleição. E, do outro lado, temos um candidato que também ninguém quer, inclusive, os seus aliados, e que, conforme os levantamentos da imprensa nacional, pode ser quase que aparelhado a um marginal de gravata.

Mas, posicionamentos à parte, o que percebemos nesta eleição de domingo é que a inteligência política sobressaiu mais que a ciência política. Sendo a definição de ciências políticas a soma dos interesses públicos, que somam os serviços, a informação pública, os conflitos. Enfim, a ciência política é hoje ferramenta fundamental para analisar e propor soluções, para que o Estado seja mais eficiente em prol do cidadão. E, nesta eleição que vai ser decidida no domingo, prevaleceu o embate político ideológico e de forma distorcida, exatamente porque os meios de comunicação acabaram por dificultar para o eleitor o entendimento do que é melhor para o Estado num todo, e não individualmente.

Um exemplo de comprometimento dos meios de comunicação em todos os níveis para com a verdade ocorreu esta semana com a Rede Globo, quando a maior emissora de TV do país e que mantém um canal exclusivo de jornalismo e um jornal impresso e online, O Globo, também um dos maiores do país, cancelou o último debate dos candidatos a presidente porque os dois principais comunicaram que não iriam. Um, Lula, já tinha avisado que não iria há 60 dias, o outro comunicou uma hora antes do início, alegando que uma decisão jurídica fez com que ele mudasse a sua posição. Os jornalistas políticos da emissora, sem exceção, partiram para cima do Judiciário, que estaria agindo para poupar o candidato no Poder. O que, em minha opinião, não justifica. Outro jornalista político, da rádio CNN, em sua coluna diária, chegou a afirmar que as decisões do Judiciário acabariam por judicializar as eleições. Isso tudo para justificar a ausência na última hora do candidato Flávio Bolsonaro, que, em minha opinião, decidiu não ir porque sabia que seria massacrado por outro candidato da direita. Entendo que seria mais criterioso para a Globo falar a verdade: Atenção, Brasil, não teremos mais debate porque o candidato Lula da Silva, que está na frente em todas as pesquisas, avisou há 60 dias que não viria, e não veio mesmo, e agiu para que o púlpito não ficasse vazio e o seu adversário não pudesse fazer perguntas para ele. E poderia complementar: Ele agiu com inteligência política. 

Temos uma eleição polarizada, dois candidatos que o brasileiro não quer, mas um deles tem trabalho e programa. O outro é um playboy aventureiro, até então. 

E, acho, o brasileiro comum, aquele que trabalha de sol a sol, que mora ainda em casa com piso de “chão batido”, e que ainda precisa de Bolsa Família, vale gás e filhos nas escolas lanchando e almoçando, não vai trocar o certo pelo duvidoso. Num artigo de opinião, eu falo isso com muita tranquilidade, pois, num país onde as contradições são tão visíveis, reservo-me o direito de opinar com franqueza, inclusive, publicamente, em um órgão de comunicação que tem credibilidade, pois, se não tivesse, não teria 1,3 milhões de acessos nas redes sociais em um mês. Num órgão de comunicação que nunca teve medo de expressar posições políticas, sejam elas municipais, estaduais ou federais. Não somos de esquerda e muito menos de direita. Mas somos favoráveis a um país olhando para frente, a uma Minas Gerais mais bem administrada e a uma Itaúna com representantes no Congresso e na Assembleia Legislativa. Para se ter um país melhor, desta vez, a opção é continuar com o Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, e para uma Itaúna bem representada, precisamos colocar Glaucia na Câmara Federal. E se nossos candidatos a deputado estadual realmente tiverem como projeto uma Itaúna melhor para se viver, vale a pena dar seu voto. Temos bons nomes. 

Quanto ao escalabro do Poder Judiciário nas suas decisões esta semana, o que tenho a dizer é que não foi a primeira e muito menos será a última. Acho interessante a diversificação dos poderes, pois isso é democracia, mas um não pode sobrepor ao outro e o Judiciário tem ultrapassado todos seus limites, seja nas áreas civil, criminal e/ou eleitoral, principalmente nas instâncias superiores. 

Tem gente em Itaúna, por exemplo, que, por causa da “burocracia judicial”, não vai poder votar, apesar de apto judicialmente. Fica aberta a discussão, que será judicializada, pois um cidadão teve o seu direito do exercício da cidadania obstruído por burocracia. Absurdo? Ou apenas mais um ato do Judiciário? Acho absurdo.

Por Renilton Gonçalves Pacheco