Incentive as pessoas a votarem
Pesa o número de eleitores que não produzem um voto válido para alguns cargos, nas últimas eleições de Itaúna.
Em 2018, 19,27% dos eleitores não compareceram. Em 2022, a abstenção foi muito parecida: 19,66%. Ou seja, nas duas últimas eleições gerais, aproximadamente um em cada cinco eleitores de Itaúna ficou fora das urnas.
Nas eleições municipais, esse percentual foi maior. Em 2020, a abstenção chegou a 24,03% e, em 2024, ficou em 24,37%. Isso significa que aproximadamente um em cada quatro eleitores não compareceu às duas últimas eleições municipais. Sabemos que o comparecimento de 2020 muito provavelmente foi influenciado pela pandemia do COVID.
O dado de 2024 talvez seja mais interessante. Mesmo sem a pandemia, a abstenção permaneceu praticamente no mesmo nível: 24,37%. Ao mesmo tempo, a eleição para prefeito terminou com uma diferença muito grande entre os candidatos, com Gustavo Mitre recebendo 79,72% dos votos válidos. Não é possível afirmar que a falta de competitividade causou a abstenção, mas pesquisas mostram que eleições mais disputadas tendem a estimular maior mobilização. Quando as pessoas acreditam que a eleição está decidida antecipadamente, o incentivo para comparecer pode diminuir.
A diferenças entre cargos também salta aos olhos, quando observamos os números. Em 2018, entre os eleitores que foram às urnas, 11,87% votaram branco ou nulo para presidente. Para deputado federal, esse percentual subiu para 21,38%. Para deputado estadual, ficou em 20,57%.
Em 2022 aconteceu novamente algo semelhante. Para presidente, apenas 5,56% dos presentes votaram branco ou nulo. Para deputado federal, foram aproximadamente 13,2%, e para deputado estadual, cerca de 13,8%.
Os votos inválidos são muito mais frequentes para deputados do que para presidente. Estamos falando das mesmas pessoas, no mesmo dia, diante da mesma urna. Se alguém escolhe validamente um candidato a presidente, mas vota branco ou nulo para deputado, é possível que o problema não seja simplesmente “não gostar de política”. Em parte dos casos, pode ser algo muito mais simples: o eleitor conhece os candidatos a presidente, mas chega ao dia da eleição sem saber em quem votar para deputado.
Isso também ajuda a explicar por que interesse e informação política são importantes. Pesquisas mostram que pessoas mais interessadas em política apresentam maior disposição para participar das eleições. A competitividade da disputa também pode estimular o comparecimento. Quanto mais o eleitor percebe que sua participação importa e quanto mais conhece o que está em jogo, maior pode ser sua disposição para votar.
Existe um dado que talvez seja ainda mais mais útil para pensar a eleição de 2026: votar também é um comportamento influenciado pelas relações sociais. Experimentos realizados com eleitores mostram que familiares, amigos e pessoas próximas podem aumentar a disposição de alguém para participar de uma eleição. O contato pessoal produz efeitos que muitas vezes não aparecem com a mesma força em mensagens impessoais. Em outras palavras, conversar sobre a eleição dentro de casa, entre amigos ou entre colegas pode fazer diferença.
Vale distinção ética fundamental: incentivar alguém a votar não significa escolher por essa pessoa. Uma coisa é dizer: “Você deve votar no meu candidato”. Outra, completamente diferente, é dizer: “Você já pesquisou quem são os candidatos? Você sabe o que faz um deputado? Já decidiu seus votos?”.
Quem acompanha política pode ajudar outra pessoa a buscar informações, conhecer os candidatos, entender as funções de cada cargo e chegar à urna com suas próprias decisões tomadas. Isso não significa impor uma escolha. Significa estimular participação.
Esse ponto será ainda mais importante em 2026. O eleitor terá seis escolhas para fazer: deputado federal, deputado estadual, dois votos para senador, governador e presidente. Quanto maior o número de cargos, maior também a possibilidade de alguém chegar à urna sabendo perfeitamente em quem votar para presidente e governador, mas sem ter escolhido seus candidatos ao Legislativo.
Os números de Itaúna sugerem que é justamente aí que existe uma grande perda de votos válidos. Não é que todos os abstencionistas, votos brancos ou votos nulos possam ser “recuperados”. Isso seria incorreto. Muitas dessas decisões são conscientes e legítimas. Existe uma parcela de eleitores que pode participar mais e escolher melhor quando recebe informação, estímulo e ajuda para compreender a eleição.
Talvez, então, uma das contribuições mais importantes de quem acompanha política em 2026 não seja convencer outra pessoa a votar da mesma maneira. Pode ser algo anterior e mais simples: ajudar alguém próximo a se interessar pela eleição, pesquisar os candidatos e chegar à urna preparado para fazer suas próprias escolhas. Isso pode ter um impacto enorme para Itaúna aumentar suas chances em ter pessoas que a representem na Câmara dos Deputados, em Brasília, e na Assembleia Legislativa, em BH.
Por Rafael Corradi Nogueira





