Entre o limite e o bom senso

Entre o limite e o bom senso

Começou na segunda-feira e vai até o próximo dia 5 de agosto o período para a realização das convenções partidárias visando as próximas eleições de outubro, quando vamos votar para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Já opinei e fiz análise, por mais de uma vez, sobre a situação eleitoral em Itaúna, quando se fala em candidaturas para deputado estadual e federal. Em outros tempos, tivemos representação na Assembleia e na Câmara dos Deputados, quando nomes como os de Hidelbrando Canabrava, Cássio Gonçalves, Francisco Ramalho, Neider Moreira e Gustavo Mitre atuavam como deputados estaduais, e na Câmara Federal tivemos Marcos Lima, por vários mandatos, e, nesta legislatura, temos Gláucia Santiago como suplente, chegando a assumir o mandato por alguns meses. O tempo passou e Itaúna teve que se contentar com representantes de “aluguel”, diríamos, pois ficamos e estamos na dependência de deputados de outros municípios, que até ajudam a cidade com uma coisinha ou outra, mas têm compromissos de fato é como os seus colégios eleitorais (cidades onde concentram o maior número de votos). E, assim sendo, ficamos à mercê da boa vontade dos políticos que já têm compromissos com outras cidades.

Nessa situação, viramos pedintes, sempre com o “penico nas mãos” pelos corredores das Casas de Leis, que, no Brasil, funcionam como salas de lobby junto aos governos estaduais  e federal. Diante dessa veracidade, a saída é mesmo ter alguém oficialmente sentado em uma cadeira nos dois níveis do Poder Legislativo. Porém, para isso, primeiro é preciso bom senso, coisa que os nossos políticos não têm. Em nossa barranqueira Itaúna, por exemplo, não é a primeira vez que muitos acham que podem se alçar a candidato, mesmo sabendo que as chances são mínimas, para não falar praticamente nulas. Sempre foi assim, me contavam sobre as décadas de 50 e 60 e, depois, assisti a vários capítulos destas jornadas a partir da década de 70, quando tínhamos um candidato de carteirinha, que era o saudoso Nelson Ferreira, que foi vereador e candidato a prefeito, mas que, por mais de uma vez, se lançou candidato à Assembleia Legislativa, sempre contra a vontade dos mandatários da cidade, que tinha Dr. Guaracy de Castro Nogueira e Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Sousa como caciques. Nos últimos anos, não tivemos representantes de fato nos dois níveis de poder. Perdemos muito com isso, pois a não presença de alguém que conhece a cidade e suas necessidades dificulta muito.

Entendo que a oportunidade de reverter a situação e eleger um nativo, alguém que esteja disposto a trabalhar em prol da comunidade, chega novamente. No dia 4 de outubro, ou seja, daqui praticamente 60 dias, iremos às urnas para eleger nossos representantes nas esferas do poder constituído nos níveis federal e estadual. Mas, infelizmente, acho que não será ainda desta vez que o bom senso vá imperar, pois os movimentos num momento de convenções, quando os partidos confirmam os nomes para concorrer ao pleito, muitos são os que se colocam como candidatos sem um mínimo de bom senso. E pior que falta de senso é autocrítica que não existe. É ridícula a colocação do nome apenas para, digamos, atrapalhar outras candidaturas com chances maiores. Um exemplo claro é a colocação do nome do atual presidente da Câmara, Antônio de Miranda, para deputado federal. Um nome que vai, em nossa opinião, trabalhar com uma margem entre 5 e 8 mil votos. A chance de eleição na sua legenda é de, no mínimo, 40 mil votos. Ou seja: chance zero. A candidatura do nobre vereador, que passa por um momento de desgaste por causa da sua postura à frente do Legislativo itaunense, só vai servir mesmo para atrapalhar a candidatura da ex-vice-prefeita Gláucia Santiago, do PL, atual suplente de deputada, que é a candidata com a maior chance entre todos os pretendentes, basta fazer o dever de casa, a legenda do partido vai fazer o resto. Mesmo o nome do ex-prefeito Neider Moreira, que no momento tem problemas jurídicos sérios para resolver, não se mostra viável devido à legenda alta. E tem outros nomes, como os de Sandro, do MDB, e Hélio Perereca, que, em nossa opinião, entram para marcar presença. Dentre outros nomes, surge o de Lohanna, atual deputada estadual, que tem base na vizinha Divinópolis e que vê Itaúna apenas da “janelinha”. 

Para a Assembleia Legislativa, são cerca de oito nomes colocados, dentre eles o da Carol dos Cachorros, do Wenderson da Usina, da Georgia da Apae, Rosse Andrade, Júlia do PSOL, Kaio Guimarães... E presente nas redes, afastado do cargo de secretário de Cultura, e sem falar a que veio, ainda tem o Marcinho Hakuna. 

Então, caro itaunense barranqueiro, muito provavelmente, vamos continuar com o “penico nas mãos”, pois, dentre todos os nomes itaunenses colocados até então, na minha opinião, só um tem uma chance, que é o de Gláucia Santiago, para federal. E os motivos são óbvios: está no PL e tem o Nikolas para ajudar a carregar, é política conhecida com serviços prestados, inclusive, com destinação de recursos para o Hospital “Manoel Gonçalves” da ordem de 5 milhões de reais, ela é mulher e conhece bem as necessidades da sua terra natal. 

Então não há outra opção a não ser focar em um nome para que Itaúna tenha representante de fato. Condições de eleger um deputado federal e outro estadual nós temos, basta querer. E fica a crítica: não adianta se iludir, antes de tudo, é preciso autocrítica, ou seja, muito bom senso.

Por Renilton Gonçalves Pacheco