Com o penico nas mãos?
A frase popular usada para mostrar a situação de, digamos, penúria ou falta de opção de alguém ou de um grupo, ou mesmo de uma população, muito usada há séculos, é semelhante a do título: estou ou estamos de ou com o “pires nas mãos”. Ou seja, serviram o café para muitos e você ficou com a xícara vazia. Troquei o pires por um utilitário doméstico muito usado antigamente por aqueles que precisavam conseguir sair da pressão. Entendeu, né? E é assim que nossa querida e barranqueira Itaúna está faz muito tempo quando o assunto é representatividade política em nível estadual e federal: com o pires nas mãos e o penico cheio. Como bem disse a nossa suplente de deputada federal e novamente candidata, Gláucia Santiago, lá em Brasília, ninguém conhece Itaúna e nem sabe que ela existe no mapa. É preciso ficar explicando... E por isso que fico a refletir sobre tal situação e sem entender o porquê de nossas “lideranças”, se é que podemos chamar de lideranças as pessoas que se atiram a aventuras políticas sem medir as consequências para elas e para a população que possivelmente representam.
Estamos no início de uma campanha política visando às eleições de 4 de outubro e, ao que parece, temos candidatos demais para cargos na Assembleia e Câmara dos Deputados. E, somados os nomes, ao que parece, apenas um tem de fato alguma chance de conseguir a eleição. Mesmo assim, precisa da união de esforços da população para que possa ser a representante da região em Brasília. Depois de estudar os partidos, as coligações e o quoeficiente eleitoral, e levar em consideração outros fatores que contribuem para o sucesso numa disputa eleitoral, a conclusão é a de que a disputa por uma vaga, tanto na Assembleia como na Câmara dos Deputados, não está fácil, mas é possível se o eleitor itaunense fizer o dever de casa e optar por querer ter um representante nas duas casas legislativas, facilitando, assim, as ações políticas em prol do município e, consecutivamente, melhorando a vida do cidadão itaunense. Ou seja, o povo precisa aprender a votar, para que possa, então, melhorar a sua própria vida. Só depende dele mesmo essa melhoria.
A primeira coisa a ser observada, por exemplo, é a real condição dos candidatos de representar a cidade. Temos nomes colocados que sequer sabem o que é o real exercício da política. São “marinheiros de primeira viajem”, exercem mandato de vereador e ainda não têm experiência para o exercício de um mandato que vai exigir conhecimento das leis e, o mais importante, o conhecimento do meio político. São candidatos, às vezes, somente para colocar o nome para a população, pensando numa construção para o futuro, e, em momento algum, estão pensando na população, na representatividade do município. Outros apenas querem “trabalhar” com o fundo partidário em benefício próprio, burlam a legislação, fazem o que chamam popularmente de “cambalacho” e usam o dinheiro público. Sim, dinheiro público, pois o fundo partidário é dinheiro do povo.
E, diante das infinitas possibilidades que são utilizadas para iludir o eleitor com mentiras, é preciso que ele aprenda que é o único que pode mudar a situação e votar com integridade, inteligência e, o mais importante, com eficiência, pois, ao desperdiçar o voto, ele está contribuindo para mais quatro anos de falta de representatividade, o que dificulta que a cidade consiga verbas para obras importantes, para a melhoria da saúde pública com mais recursos para o hospital, com mais dinheiro para a construção de novas escolas e melhorias do ensino público em todos os níveis.
O fato é que não podemos errar mais, daqui 40 dias, teremos mais uma oportunidade de escolhermos um nome para a Câmara Federal e outro para a Assembleia Legislativa, e, dentre as opções itaunenses postas para federal, dentre todas as possibilidades estudadas, há apenas um nome que pode estar lá. É o de Gláucia Santiago. E o motivo principal é o partido da candidata, o PL, que vai possibilitar a eleição de candidatos com um mínimo de votos, levando-se em conta o coeficiente eleitoral e as possibilidades evidentes devido aos nomes que formam a chapa da sigla, entre eles, o do fenômeno Nikolas, que pode chegar a três milhões de votos. Além disso, Gláucia tem histórico político, com experiência como vereadora, vice-prefeita, suplente de deputada federal e cresceu num meio político observando a atuação política do seu pai, que foi prefeito de Itaúna por duas vezes, deputado estadual e um homem de bem. Gláucia, nesta eleição, é a única itaunense capaz de representar a cidade.
Temos outros nomes na disputa, sim, como o de Lohanna França, que é deputada estadual. Mas ela tem base eleitoral em Divinópolis e Itaúna é uma cidade a mais, e não a principal para ela. Temos Antônio de Miranda, um vereador de carreira, que tem a política como profissão. Sabe que suas chances são mínimas, pois, no seu partido, a legenda é alta, quase inatingível, para um candidato como ele. Temos Neider Moreira, ex-deputado e ex-prefeito, mas em situação delicada, pois está condenado e pode ter que cumprir pena de seis anos e um mês de prisão pela prática de rachadinha. Dizem que tem uma “carta na manga”. Depois da cartada, acho improvável, mas... Temos o Sandrinho, um itaunense gente boa, batalhador, mas que também sabe que, no seu partido, o MDB, é quase uma aventura a sua candidatura, apenas para fazer seu nome, marcar posição. E, assim, para a Assembleia Legislativa, a situação é pior, os nomes colocados não têm histórico político, são iniciantes e com poucas chances. Os principais nomes são os de Marcinho Hakuna, ex-vereador, com eleições disputadas. Bem votado em uma delas. Tem que ressurgir das cinzas. Kaio e Wenderson, em minha opinião, duas aventuras.
Assim, caro itaunense barranqueiro, pense duas, três vezes, em frente à urna. Precisamos, mais do que nunca, de uma pessoa em Brasília e de outra em Belo Horizonte. Mas pense bem, com consciência e isenção, pois é o seu voto que vai fazer uma cidade melhor para se viver. A cidade é sua, e é você que escolhe seus rumos políticos.
Renilton Gonçalves Pacheco







