Amigos que vão, aprendizados que ficam

Amigos que  vão, aprendizados que ficam

Nos últimos dias, perdemos dois grandes amigos – e Itaúna, enquanto comunidade, ficou sem dois exemplares cidadãos. Na semana passada, nos despedimos do Professor Gontijo, o ex-vice-prefeito Antônio Nogueira Gontijo, com quem tive o imenso prazer de conviver, principalmente enquanto assessor de imprensa, e ele na função de vice-prefeito no mandato de Osmando, de 1997 a 2000, e como vereador, no mandato 2001/2004. Educação diferenciada, conhecimento da nossa língua como poucos, foi por causa de uma observação sua que passei a dar títulos de “contocrônica ou crônicaconto” a textos que publicava nos jornais Integração, Acontece e, posteriormente, aqui na FOLHA. Gontijo foi professor dos mais capacitados, político de uma integridade invejável (o que está difícil de se encontrar hoje em dia) e amigo sempre à disposição a uma palavra, um conselho, um auxílio quando precisássemos. Aprendi muito com o Professor Gontijo. Daqui, deixo meu tchau a ele e minha palavra de conforto à família. Que tenham a certeza de que a passagem de Antônio Gontijo por este mundo não foi em vão. Ele aqui esteve para melhorar as vidas de quem com ele convivesse.

E, nesta semana, na quarta-feira, 22, foi hora de despedir do Juarez Guimarães de Abreu, ou Juarez do Carmelo, para alguns, ou Juarez da Escolinha, para outros. Um amigo que conheci ainda nos primeiros anos de minha chegada a Itaúna. Ele era, na minha opinião, “a cabeça pensante” da administração do ex-prefeito Francisco Ramalho. Foi peça das mais importantes para a organização administrativa daquele mandato. Foi com ele que comecei a entender o significado das logomarcas, quando me foi explicado o significado da logomarca da Administração Ramalho, coisa das mais modernas para aquela época em uma administração pública. Talvez a partir deste aprendizado que eu tenha me arriscado no auxílio à produção das logomarcas de três das quatro administrações do Osmando, ou na logo do IMP de Itaúna e algumas outras em que tive o prazer de atuar. Conviver com o Juarez foi um privilégio que passei a desfrutar até com mais assiduidade nos últimos anos. Ele, recluso em casa, em Belo Horizonte, recebia a visita minha, do Simonini e do Mário Santiago – a quem fui apresentado pelo Juarez e que se tornou mais um amigo na minha seleta lista – para reuniões em “sábados construtivos”. No entorno de algumas garrafas de cerveja, nós quatro, às vezes com mais alguém, passávamos boa parte do dia “resolvendo os problemas do mundo”, como dizia o Juarez. Em um desses sábados, pude levar ao encontro minha irmã caçula, Márcia, que se tornou amiga do Juarez, com quem trabalhou e o teve como professor na capital, mesmo sem saber que eu já o tinha como amigo. Nos encontros, falávamos de política, literatura, amenidades e trocávamos muito conhecimento sobre coisas da vida, que só nos permitimos trocar com os realmente amigos. E a despedida ao Juarez, na quinta-feira, me foi possível, em presença, o que não consegui em relação ao Professor Gontijo. Lá estávamos eu, Simonini e Mário Santiago, com a companhia do Osmando, para nos despedirmos do amigo e manter o propósito de “resolver os problemas do mundo”, missão que nos deu o amigo Juarez Guimarães de Abreu, o Juarez do Carmelo. 

O outro lado da vida está melhor, com a presença desses dois amigos, e a nós resta a tarefa de espalhar, no lado de cá, enquanto aqui estivermos, os ensinamentos e as lições que deles recebemos.

Por Sérgio Cunha

Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e membro da Academia Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.